Escola Sem Partido e a conjuntura de retrocessos

Publicado por: Mário Júnior | 20 de julho de 2018 - 12:21pm

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A discussão sobre a mordaça que os setores conservadores querem impor aos educadores voltou à tona na semana passada. O relator da Comissão Especial que trata do tema na Câmara dos Deputados apresentou seu parecer no qual sutilmente dá continuidade à perseguição aos docentes que discutem temas artísticos, culturais, científicos e políticos inerentes ao mundo moderno.

Essa turma da direita que quer impor o seu pensamento retrógrado, elitista, antipopular e preconceituoso está agindo violentamente em várias regiões do país. No momento atual, em que a burguesia reacionária ganhou força na arena política eleitoral, a disputa pelos corações e mentes dos trabalhadores é estratégica. Por isso o movimento Escola Sem Partido está agindo em vários campos, entre eles o Poder Legislativo, atuando no Congresso Nacional e também nas câmaras de vereadores municipais e assembleias legislativas estaduais.

Para contrapor esse processo, nós, trabalhadores da educação, precisamos retomar a defesa da liberdade de ensino e, principalmente, a atitude questionadora dos princípios que regem o pensamento conservador. Quais sejam: o conhecimento como perversão ao ser, a escolha individual subordinada à família e a propriedade privada como fundamento do pensamento moderno. Ora, tais pedras fundamentais que orientam os militantes do Escola Sem Partido são dogmas da Idade Média, de setores fundamentalistas religiosos e empresários interessados em destruir a escola pública.

No cotidiano da vida escolar podemos demonstrar como a liberdade de ensino e os debates sobre os temas mais interessantes para a comunidade acadêmica são as grandes polêmicas que definem a história, ou seja, não é pensável uma instituição educacional que não debate abertamente a política, o gênero, a auto-organização dos estudantes etc. Um novo iluminismo precisa nascer, e deverá nascer sob a direção do interesse dos trabalhadores.

Nesse sentido, estamos restabelecendo o funcionamento regular da Frente Nacional Escola Sem Mordaça. Orientamos que as Frentes Municipais, Estaduais e Regionais/Locais busquem os materiais disponíveis aqui em nosso site e planejem reuniões e seminários para resistir a mais esse golpe contra o direito fundamental do ser humano de conhecer o mundo pela educação gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada.